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sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Leônidas Cristino discursa na Câmara Federal em defesa da energia limpa e renovável.


O mercado mundial de energia de fonte fotovoltaica, a energia captada do sol, cresceu 25% entre os anos 2017 e 2018, em comparação com todos os anos desde o início do uso desta tecnologia. No período, foram implantados 100 gigawatts, o equivalente a 60% da matriz energética brasileira. Para 2019 a previsão é de que sejam implantados no mundo 130 gigawatts.

A China lidera esse mercado com 176,1 gigawatts, e também a expansão mais recente dessa fonte de energia limpa e renovável. A escalada da busca por essa geração tem uma razão econômica, uma vez que a evolução da tecnologia foi acompanhada pela redução dos custos em mais de 85% desde 2010.

No ano passado, o Brasil instalou 1,2 gigawatts de fonte solar, totalizando 2,4 gigawatts de capacidade instalada acumulada. Já superamos a marca de 100 mil residências que utilizam módulos fotovoltaicos. O setor gerou no País 72 mil empregos de 2012 a 2018. A previsão é que sejam criados mais 27 mil empregos no setor.

Analistas desse mercado consideram que o Brasil está 15 anos atrasado em relação ao bloco de países mais avançados no uso dessa tecnologia. O Ceará lidera o mercado de energia solar no Nordeste e ocupa o quarto lugar no ranking nacional. O Estado está entre os cinco que possuem grandes usinas geradoras de energia fotovoltaica. Na energia eólica, o Ceará compete com o Rio Grande do Norte pela liderança nacional.

O Ceará deu os primeiros passos nessa tecnologia em 1992 quando fui secretário de Infraestrutura no governo Ciro Gomes e lançamos um projeto para conhecer o potencial das energias renováveis, eólica e solar. O Ceará foi o primeiro estado brasileiro a fazer medição científica de potencialidade dos ventos para a geração de energia.

De modo pioneiro pelo porte, foram instalados quatro aerogeradores de 300 kW no Porto do Mucuripe – ainda hoje funcionam – e pequenos sistemas de energia solar em 14 comunidades do interior do Ceará distantes da rede de energia elétrica.

O Brasil precisa crescer nessa tecnologia limpa, que gera empregos de qualidade – 25 a 30 empregos são criados por cada MW instalado. Massificar essa produção vai ajudar o cidadão comum que acha caro o preço da conta de luz. Propiciar uma energia mais barata é fundamental no desenvolvimento do país.

Todavia, precisamos criar um ambiente favorável à expansão desse negócio.

Esse é o momento para formatar uma política de Estado que estimule a expansão do setor fotovoltaico, e de criar um Marco Legal da Energia Solar. Só com planejamento e dialogando com o segmento da produção podemos implantar uma política de desenvolvimento industrial com esse foco.

Existem gargalos a serem vencidos com a aprovação de leis que deem segurança ao consumidor, investidores externos e internos. A Câmara muito pode fazer para colaborar.

Um módulo fotovoltaico fabricado no Brasil custa 25% a 30% em comparação com o mesmo produto importado. Uma consequente ação de desoneração dos insumos e componentes para geração de energia de fonte fotovoltaica pode atrair investidores externo para ampliar o parque fabril dessa tecnologia e baratear custos, aumentando a capacidade de fornecimento dessa energia solar tão abundante em nosso País, sobretudo no Nordeste.

Leônidas Cristino

Deputado Federal (PDT – CE)

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