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quarta-feira, 31 de julho de 2019

Para analistas, ao radicalizar discurso, Bolsonaro mira a reeleição

Bolsonaro tem público fiel, mesmo com os discursos extremos dele(foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro não tem economizado no discurso radical. Nem vai. Com quase sete meses completos de governo, essa continuará sendo a tônica da gestão dele, que mira a reeleição, em 2022. Historicamente, chefes de Estado costumam, em algum momento, flexibilizar as declarações para agregar outros polos. Com uma fatia de 33% do eleitorado que o avaliam como ótimo ou bom, segundo a última pesquisa Datafolha, Bolsonaro segue dentro dos 35% que tinha na última pesquisa de intenção de votos antes do primeiro turno, pela margem de erro. Ou seja, nada contra a maré e impõe um jeito diferente de comandar o país.

“Bolsonaro já está em campanha, e as declarações mostram que o discurso está, dentro da estratégia dele, dando certo, pois ele não deixa surgir outro oponente dentro do espectro político ou em outro polo”, avaliou o cientista político e sociólogo Paulo Baía, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A radicalização dele dificulta que nomes em gestação na direita para as eleições presidenciais se firmem, sejam da classe política, como o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), sejam outsiders, como o apresentador Luciano Huck. “Não conseguem se firmar em face do sucesso de Bolsonaro. Não da ideia embrionária, pois, na estratégia dele, está dando certo”, sustentou Baía.

A tática de Bolsonaro mantém a polarização política no país. “E toda a estrutura feita por ele é de seguir assim, impedindo o surgimento de outros polos e a aglutinação de adversários que ficam entre esses polos”, destacou Baía. O chefe do Planalto desdenha publicamente de pesquisas, mas a equipe presidencial o alerta sempre que o eleitorado mais fiel a ele se mantém desde a corrida eleitoral. “Só vai mudar se começar a perder esse público. E isso dependerá de resultados do governo. Se a economia melhorar, surgir eficiência governamental e políticas públicas, e, com isso, as pessoas sentirem que a vida melhorou, ele ganha mais apoio”, ressaltou o especialista da UFRJ.


Capital político


A fatura de resultados, entretanto, deve ser apresentada rapidamente. Para o cientista político Geraldo Tadeu, professor e coordenador do Centro Brasileiro de Estudos e Pesquisas sobre a Democracia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), aumentou o número de pessoas que aprovam ou desaprovam o modo de governar. “A parcela que migrou para a posição mais crítica subiu exponencialmente dos 100 para os 200 dias de governo”, frisou.

Dessa última pesquisa Datafolha, Tadeu destacou que, do eleitorado que aprova o governo, 36% consegue apontar algo positivo. Da parcela que desaprova, 76% indica que não teve nenhuma realização de destaque. “Bolsonaro gasta o capital político de maneira absurda e não acho que há um cálculo estratégico em criar cortina de fumaça com esse temperamento autoritário. Os 7% que aprovam a reforma da Previdência são negativados pelos 9% que criticam o comportamento e a imagem pública dele”, disse.

No Congresso, líderes partidários avaliam a postura como negativa. “Somos contra as declarações mais radicais, como em assuntos relacionados aos direitos humanos e à questão ambiental. Mas não vamos deixar que a radicalização contamine o partido”, alertou o líder do Cidadania na Câmara, Daniel Coelho (PE). As agendas econômica e de segurança ainda criam sinergia entre o governo e a bancada, mas os resultados serão cobrados. “No tempo certo (vamos cobrar resultados). Nosso julgamento não vai se pautar na radicalização. E no que nós acharmos que está errado, vamos cobrar.”


Correio Braziliense

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