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sexta-feira, 28 de junho de 2019

Drogas em avião: inquérito vai investigar os procedimentos de segurança

(foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Um Inquérito Policial Militar (IPM), aberto pelo comando da Aeronáutica, investiga se o uso de equipamentos de raios X e outros procedimentos de praxe foram adotados na Base Aérea de Brasília durante o embarque do sargento Manoel Silva Rodrigues. O militar foi preso na terça-feira, em Sevilha, na Espanha, após transportar 39kg de cocaína num avião da Força Aérea Brasileira (FAB). A aeronave opera como reserva na comitiva do presidente Jair Bolsonaro, que participa da reunião do G20, em Osaka, no Japão. Além da investigação, o comando da Aeronáutica criou um grupo de trabalho para formular propostas de reforço da segurança nos voos da FAB.

Em entrevista no Ministério da Defesa, o titular da pasta, Fernando Azevedo e Silva, classificou o episódio como “lamentável” e disse que o militar será julgado “sem condescendência” pela Justiça da Espanha e do Brasil. “Nesse caso, houve a quebra de confiança. A confiança é própria da cultura militar e nos é tão cara. Esse lamentável caso é fato isolado no seio dos integrantes das Forças Armadas, que gozam dos mais elevados índices de credibilidade junto à população brasileira”, disse. Ele ressaltou que “400 mil homens e mulheres fardados servem à pátria pautados por princípios éticos e morais”.



A participação do ministro se limitou à leitura do pronunciamento de abertura. Ele deixou o auditório logo em seguida, após dizer, entre outras coisas, “que não vamos admitir criminosos entre nós”. Também estiveram na coletiva de imprensa o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez, e o porta-voz da Força, major aviador Daniel Rodrigues de Oliveira.

Bermudez não se pronunciou, e o porta-voz passou praticamente todo o tempo se esquivando de perguntas sobre os procedimentos de vistoria efetuados no embarque do sargento Manoel Silva Rodrigues na Estação de Autoridades da Base Aérea de Brasília. “Sobre esse fato em si, ele é objeto da investigação, que corre sob sigilo”, repetiu várias vezes Rodrigues de Oliveira. “Existem procedimentos de segurança que são realizados, mesmo sendo a aeronave de traslado, de apoio. O caso específico sobre o que aconteceu é objeto do Inquérito Policial Militar. Não temos como fazer uma analogia com esse fato, pois ainda está sob investigação”, reforçou o oficial.

O porta-voz informou que todos os voos da FAB passam por procedimentos de segurança. “São submetidos, seja tripulação, sejam bagagens, a revistas e inspeções, mas depende da infraestrutura de cada aeroporto”, disse. “A praxe é que os tripulantes passem por uma revista, isso em todas as aeronaves da Força Aérea.”

Segundo ele, quando se trata do embarque no avião que leva o presidente da República, os procedimentos de segurança são de responsabilidade do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Já no caso da aeronave reserva, o órgão encarregado é o comando da Aeronáutica. O porta-voz disse que o inquérito militar tem prazo de 40 dias, renováveis por mais 20, e que serão divulgados boletins periódicos sobre as investigações.

Advogado


Rodrigues de Oliveira explicou que a prisão do sargento se deu no momento em que ele passava por procedimentos alfandegários e migratórios, após o desembarque. O porta-voz reiterou a informação do comando da Aeronáutica de que o militar não retornaria ao Brasil no mesmo voo de Bolsonaro. Explicou que o avião presidencial, na volta da viagem ao Japão, fará uma escala em Seattle (EUA) e não em Sevilha.

Ao ser questionado se após a apreensão da cocaína o avião da FAB foi inspecionado por autoridades espanholas, Rodrigues de Oliveira respondeu negativamente e informou que a aeronave seguiu viagem ao Japão.

Quanto à situação atual do militar, o major disse que o governo da Espanha destacou um advogado para assisti-lo. De acordo com ele, o consulado brasileiro também presta assistência, tendo, inclusive, já feito contato com o sargento. O porta-voz não disse se estão em andamento discussões sobre uma possível extradição do militar para o Brasil.

Segundo o porta-voz, se houver indícios do envolvimento do sargento no tráfico internacional de drogas, caberá ao Ministério Público Militar promover uma ação penal. Em caso de condenação, além de cumprir pena por tráfico, ele pode ser expulso da Aeronáutica.

Droga em maleta

A Guarda Civil espanhola informou que a droga estava escondida numa maleta e dividida em pacotes. O sargento, de 38 anos, foi preso em flagrante e permanece detido no prédio da Guarda Civil.

Bolsonaro: “Ele vai pagar um preço alto”

Em transmissão ao vivo pelo Facebook, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o sargento Manoel Silva Rodrigues, da Força Aérea Brasileira (FAB), “pagará um preço alto” por ter sido flagrado transportando 39kg de cocaína em um avião da comitiva presidencial. “Lamento por esse elemento, que, pelo que parece, está envolvido nisso há algum tempo, porque ninguém vai levar 39 quilos numa primeira viagem”, afirmou. O chefe do Planalto destacou que o militar já havia participado de comitivas de governos anteriores. “Na primeira viagem nossa ele deu azar, ‘créu’. É melhor ‘Jair’ se acostumando, porque conosco é assim”, frisou, embora o sargento tenha sido flagrado por autoridades da Espanha. Bolsonaro ressaltou que o sargento está sendo investigado e que o Brasil está colaborando com o governo espanhol. “Esse elemento, se for preso no Brasil, vai pegar 30 anos de cadeia”, disse. “Se fosse na Indonésia, pegaria pena de morte.”
Correio Braziliense

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