Valparaíso será uma das cidades mais afetadas com mudança do Mais Médicos - CONEXÃO NOTÍCIA - Wellington Marques

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sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Valparaíso será uma das cidades mais afetadas com mudança do Mais Médicos


A recente decisão do governo de Cuba de retirar os médicos que atuam no Brasil desde 2013 pelo programa Mais Médicos pode afetar a aplicação dos serviços à população mais carente, em especial, nos municípios mais afastados (dos grandes centros) ou menores. Uma das cidades mais afetadas será Valparaíso de Goiás, localizada no entorno do Distrito Federal, e que, em 2016, chegou a ser o terceiro município do estado com o maior número de estrangeiros pelo programa. Hoje, conta com 12 deles. A medida foi tomada após a eleição de Jair Bolsonaro (PSL), crítico ao programa.

O ex-secretário de saúde de Valparaíso de Goiás, que ocupou a pasta de 2013 a 2016, Walter Mattos, explica que o município foi um dos primeiros a aderir ao programa criado pelo governo da ex-presidente Dilma Rousseff, do PT, e, ao longo dos anos, foi aumentando o número de médicos estrangeiros. “Nós iniciamos com três e encerramos 2016 com 26 estrangeiros de um total de 32 médicos no município”, contou. Atualmente a cidade goiana conta com 12 estrangeiros — todos cubanos — cedidos pelo programa.

Segundo o ex-secretário, a proposta do novo governo para o programa Mais Médicos é “igual ao que já vem acontecendo”. Ele lembra que quando o programa foi lançado a prioridade das vagas era dos médicos brasileiros, depois para os brasileiros fora do país e, por último, ocorria a solicitação para que estrangeiros pudessem atuar no país. “O que existia era o desinteresse do médico brasileiro em atender a atenção básica. Os estrangeiros contribuíram com a comunidade, pois a atenção básica precisa tratar a saúde na prevenção, e os estrangeiros cumpriram essa missão”, enfatizou.

Ele esclarece que os intercambistas chegavam a morar próximo do local de trabalho. Assim, houve um aumento na cobertura da prestação do serviço básico, levando os profissionais estrangeiros a terem uma relação de convívio com a comunidade em que atuavam. “Nós temos bons médicos brasileiros, excelente equipes, mas essa disponibilidade que o médico cubano tem para atender o paciente é que é um diferencial. Muitos deles trabalharam fora, em missões de paz, no Haiti, então tinham um olhar diferente da medicina”, acredita.

Para o vereador do município, Professor Silvano, do PT, as comunidades de baixa renda serão as mais afetadas pela retirada dos cubanos. Ele diz não acreditar que os profissionais brasileiros vão substituir os que deixarem o Mais Médicos. “Se fosse para os brasileiros substituírem, teriam feito no começo do programa. É um prejuízo para toda a região", argumenta.

Os médicos do programa recebem R$ 10 mil, além de uma ajuda de custo para moradia e alimentação no valor de, aproximadamente, R$ 3 mil. No entanto, o presidente eleito afirma que o valor é pago ao governo de Cuba e não é repassado aos profissionais, que trabalham, segundo ele, como “escravos”.

Correio Braziliense

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