A rejeição ao PT é o grande desafio de Haddad nesta eleição - CONEXÃO NOTÍCIA - Wellington Marques

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quarta-feira, 3 de outubro de 2018

A rejeição ao PT é o grande desafio de Haddad nesta eleição


Até o mais otimista integrante do Partido dos Trabalhadores sabia que, à medida que Fernando Haddad se tornasse conhecido e ganhasse fôlego na corrida ao Palácio do Planalto, o ex-prefeito de São Paulo também assumiria a rejeição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É o que os marqueteiros chamam de “ônus e bônus” da transferência de votos. Um político indicado por um cacique pode herdar uma boa fatia dos votos, mas, inevitavelmente, recebe, no mesmo pacote, a reprovação dedicada ao padrinho. A dificuldade de Haddad é que a negação da população aos petistas cresce mais do que o número de apoios ao nome dele no primeiro turno. Os caciques do partido parecem surpresos e buscam saídas.


Pesquisa Datafolha divulgada na noite de ontem mostra que, em menos de quatro dias, a rejeição de Haddad subiu nove pontos percentuais, saindo dos 32% e chegando aos 41%. Ele fica a menos de quatro pontos do presidenciável Jair Bolsonaro, que oscilou de 46% para 45%. No levantamento, o capitão reformado do Exército aumentou quatro pontos percentuais e chegou aos 32% das intenções de votos, contra 21% de Haddad, que oscilou um ponto para baixo. Números idênticos foram apresentados pelo Ibope na segunda-feira. A reprovação do petista aumentou 11 pontos percentuais e bateu nos 38%. No mesmo período, o ex-prefeito de São Paulo manteve o percentual de 21% das intenções de votos. O presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) atingiu 31% de apoios e 44% de reprovação. Em 40 dias, Haddad cresceu 22 pontos percentuais no quesito rejeição, enquanto Bolsonaro ganhou sete.



Para efeito de comprovação, até a entrada de Haddad na campanha, o ex-presidente Lula exibia uma rejeição de 30% contra 37% de Bolsonaro. Entre os petistas ligados à campanha do ex-prefeito ao Planalto, o fator para a estagnação na pesquisa Ibope está ligado à estratégia do tucano Geraldo Alckmin e do pedetista Ciro Gomes em bater no PT nos últimos programas. “As pancadas foram efetivas, o que aumentou a rejeição”, disse um integrante do núcleo do PT. Em determinados estados, como os do Nordeste, os ataques não são direcionados a Lula, dado a imagem positiva do petista em vários estratos do eleitorado da região, que receberá atenção especial nesses últimos quatro dias de campanha.

“Sabemos que, mesmo no Nordeste, a fidelidade do eleitor é a Lula. Por mais que ele indique o nome do substituto, essa transferência não é direta. Ao contrário”, afirmou um deputado do PT. “Em algumas cidades, não é raro encontrar um eleitor de Lula que se decidiu por Bolsonaro”, diz o parlamentar. Tal percepção vem sendo buscada inclusive por integrantes do PSDB nordestino, que, em vez de pedirem votos para Alckmin, começam a se aliar a correligionários de Bolsonaro, a fim de recuperar o tempo perdido com o apoio ao tucano. O fato de Haddad voltar a carga para o Nordeste é o maior exemplo de que a situação não é das melhores, inclusive nos estados considerados ganhos pela campanha.


Estratégias



Mas o que fazer para estancar a reprovação de Haddad, se o índice atual ultrapassou os próprios números de Lula? “A primeira coisa é tentar calar o José Dirceu (ex-ministro petista), pois as aparições dele levam uma cristalização das opiniões de quem não quer a volta do PT ao poder de maneira nenhuma”, observou o deputado petista, que, por motivos óbvios, prefere não se identificar. É esperado, no próximo debate da TV Globo, um aceno de Haddad para o mercado, os investidores e o eleitor com perfil mais conservador. “Será o primeiro da mudança de estratégia para o segundo turno.”

A expectativa de parte dos petistas é de que Haddad busque conversas com os tucanos, incluindo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o próprio Geraldo Alckmin, caso consiga chegar à próxima etapa da campanha. A expectativa é de uma coalizão de partidos de centro-esquerda contra Bolsonaro. A dificuldade é que os tucanos possivelmente devem se dividir no segundo turno. “Chance zero de um apoio do Alckmin ao Haddad. Ele não conseguiria explicar ao eleitor. Com Ciro no segundo turno, e, em caso de derrota de Alckmin, poderia haver jogo, com boas chances de apoio”, disse um integrante da equipe tucana.

Nas redes sociais, a polarização entre Bolsonaro e Fernando Haddad segue intensa. No Twitter, as menções a Bolsonaro mantêm um volume diário superior a um milhão desde a última sexta-feira. Entre 25 de setembro e 1º de outubro, o capitão reformado teve 9,2 milhões de referências, volume seis vezes superior a Haddad (1,5 milhão de referências), segundo a Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (Dapp/FGV). Os debates foram centrados, no caso de Bolsonaro, no #elenão e #elesim e, em referência a Haddad, na delação do ex-ministro petista Antonio Palocci.


Correio Braziliense

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